O GEÓLOGO LUCIANO CHAGAS SUGERE SOLUÇÕES QUE A PETROBRÁS DEVERIA TOMAR

Data 14/12/2017

UM DOS MAIS IMPORTANTES GEÓLOGOS DO PAÍS SUGERE AS SOLUÇÕES QUE A PETROBRÁS DEVERIA TOMAR A PARTIR DE 2018


 

Dentro do nosso projeto de ouvir personalidades influentes dos diversos setores da economia, convidamos um dos mais importantes geólogos do Brasil, ex-funcionário da Petrobrás, consultor de grande prestígio, de opiniões fortes e com muita propriedade. Ouvimos Luciano Chagas  para saber suas opiniões sobre as perspectivas para o próximo ano. Na verdade, Luciano nos brinda com um raio X sobre a/ situação da Petrobrás, sobre o desejo da atual diretoria fazer vendas dos mais importantes ativos da companhia e explica se realmente há a necessidade para a empresa fazer isso. Vale a pena a leitura de suas posições.  Veja o que ele pensa:

 

1- Como analisa os acontecimentos de 2017 em seu setor?

– “Na minha ótica o ano que finda teve muitos  de acontecimentos mais negativos  do que positivos. Isto porque a mola mestra Brasil, a Petrobrás, responsável maior pelo desenvolvimento no setor que atuamos, apresentou resultados financeiros pífios, produto da absoluta falta de compromisso dos seus gestores.  Oriundos do mercado financeiro e completos desconhecedores do setor que atuam, gerenciam a Petrobrás de modo desastroso.  Como bem explicado e mostrado pelo economista Carlos Oliveira em diversos artigos, todos lastreados em fatos extraídos dos balancetes e balanços da empresa, e até mesmo das afirmativas, sempre contraditórias e quase sempre dicotômicas do senhor Pullen Parente, da sua diretoria e do Conselho de Administração. Os resultados e as suas proposições ambíguas como únicas ou reais soluções, na tentativa de convencer os incautos, sempre utilizando invenciones que suplantam os fatos, e em clara contradição com os métodos das comprovações baseadas nos testemunhos ou provas:

a) A concorrência passou a ocupar parte substantiva do mercado nacional, incentivada pela própria direção da empresa. Aumentaram a importação de petróleo e principalmente de derivados, em cerca de U$ 2,7 bilhões. De aproximadamente US$1,41 bilhões para cerca de US$ 4,11 bilhões, tornando o Brasil exportador quase exclusivo de óleo bruto, sem qualquer valores agregados. Depois é apresentada como solução para o problema de perda do mercado, uma política com preços com paridade aos dos mercados internacionais, que ao não cumprir o vaticínio, agravou o problema da perda de mercado com o aumento das importações de derivados;

 b) O estabelecimento de uma alavancagem de 2,5, dito como uma relação financeira saudável para qualquer empresa, não passou e não passa de um embuste para a venda proposital de preciosos ativos. Para os leigos, alavancagem significa uma relação entre a dívida líquida, dívida bruta menos o caixa disponível, e a geração real de caixa da empresa ou EBITDA ajustado, que se aproxima da geração operacional de caixa ou seja quantas vezes a dívida líquida é maior que o caixa . Para se atingir tal meta foram realizadas: uma desvalorização estúpida e elevada dos ativos (impairments) elevando-se a dívida; uma propaganda mentirosa que a Petrobrás era uma empresa falimentar e que só vendendo os bons ativos poderia ter o seu caixa ajustado, e que não haveria outra solução além das vendas, pensadas primeiramente nas dos ativos mid e downstream, pois o “endeusado pré-sal”  não era tão valioso como previamente divulgado.

 As vendas serviriam para melhorar o caixa disponível. Entretanto, esqueceram de  dizer para a população que a maior parte dos investimentos da Petrobrás foram feitos na exploração e na delimitação das descobertas existentes do pré-sal, na montagem da infraestrutura para a sua produção eminente com a perfuração de poços produtores e injetores, com a construção das FPSO’s, nos assentamentos dutos de produção e escoamento, nas plantas de refino.

 Executando um projeto a longo prazo, que normalmente leva entre 10 a 12 anos, entre o planejamento e a sua execução, tempo esse que foi abreviado para 7 anos, aumentado obviamente a dívida de curto prazo, cujos resultados parciais, hoje, via grandes incrementos de produção, impactam substantivamente a geração de caixa ou seja, no denominador da equação da alavancagem, e mexe, sozinho, para baixo e superlativamente, o número da alavancagem, tornando-o muito menor, sem qualquer necessidade de vendas de ativos. 

Imaginem qual será o caixa gerado quando os 12 poços de Libra entrarem em produção, cada poço produzindo com uma vazão média de 20 mil barris/poço a US$ 60.00/barril. Qual será o impacto disto na amortização da dívida, com igual valor de produção durante o platô de produção por um período mínimo de dois anos? 

Uma bagatela de US$ 5,3 bilhões anuais, só com o incremento Libra, que se somarão aos 1,5 milhões de barris diários da média da produção já colimada e advinda dos “endeusados reservatórios do pré-sal”, que logo também foram transformados, pela trupe dirigente, em ativos vendáveis. Uma bagatela somada de US$ 38,2 bilhões/ano. Esqueceram de falar também que os poços do pré-sal têm custo de extração da ordem de US$ 6/boe, vazões médias de 25 mil barris/dia e isso dá total líquido da ordem de US$ 30 a 35/barril, que diminuído do valor da cotação internacional atual de US$ 60.00, perfaz um resultado entre U$ 30 a US$ 25/barril líquido para melhora da geração de caixa, além de uma produção potencial, só do pré-sal, da ordem de 2,7 milhões/dia projetada para 2018, início de 2019. Qualquer incauto pode fazer as contas simples e constatar que o caos alardeado é e foi apenas uma manobra política do grupo denunciado por corrupção que assumiu o poder, e que, doravante, só esculhambou ainda mais o País.


 A direção atual da Petrobrás, baseada em falsas premissas ou ignorância dos seus dirigentes, o que é no mínimo estranho para raposas do mercado financeiro, usou politicamente o falso caos para vender, nos últimos anos, preciosos ativos da Petrobrás e do Brasil. A Petrobrás, pasmem, entrou em 2017 com um caixa de US$ 21,2 bilhões, contra US$ 3 bilhões de concorrentes como a Exxon, que findou o ano de 2016 com caixa de US$ 3 bilhões,  apesar de ter faturamento bruto três vezes maior que o da Petrobrás. Leiam os balanços e balancetes e comprovem se eu  minto.

No faturamento bruto, a perda de mercado e consequentemente de geração de caixa foi da ordem US$ 13,4 bilhões entre os anos de 2015 e 2016  era de US$ 125 bilhões em 2015 e passou para US$ 111,56 e será maior ainda em 2017 . A Petrobrás que antes, entre 2011 a 2014, com preços de combustíveis subsidiados e perdas de receitas, estimadas por alguns em até US$ 28,1 bilhões, com as conversões feitas a US$ 1.0 igual a R$ 3,2, tinha lucro de US$ 1,56 a a US$ 2,2 bilhões por trimestre ou algo entre US$ 6.3 a 8.8 bilhões/ano, ou valores de R$ 20,2 a 28,2 bilhões.

Agora, com preços paritários aos internacionais e muito maior produção, em 2017 gerou um lucro pífio de US$ 1.56 bilhões no período entre janeiro de 2017 até setembro que, anualizado, será de US$ 2,1 bilhões, ou seja 33% a 23 % dos valores quando os preços na bomba eram subsidiados. Isso sem contar que o lucro de 2017 foi ajudado com os US$ 2,16 bilhões da venda da NTS, pois senão haveria prejuízo. Pode, Assim, a venda  de ativos feitos a preço de banana, só serviu até agora, para encobrir e justificar a incompetência dos atuais dirigentes da Petrobrás. Tudo isso sem também falar que nos próximos balancetes e balanços os montantes de faturamento e lucro serão menores pois não serão contabilizadas as receitas da Liquigás, NTS, etc, a dos outros ativos vendidos;

c)   A quebra e eliminação do conteúdo local  está intrinsicamente associada ao listado anteriormente. O aumento de importações inclusive de mão de obra nos produtos, trouxe mais recessão num País de inflação baixa, cujo fulcro  do valor está intimamente associado a brutal queda de consumo da população, cumprido o irrevogável vaticínio da lei da oferta e procura, válida até para a inflação, que o atual governo insiste em aumentar, enquanto as forças ocultas da falta de dinheiro, consequência do desemprego e da queda de todas as atividades laborais, jogam para baixo. 

 A não contratação de encomendas no Brasil levou os estaleiros e o parque fabril a níveis alarmantes de desemprego e recesso, e a falências generalizadas em toda a cadeia. Pior.  Estamos perdendo conhecimento por queda da produção científica e em P&D, todos consequentes da penúria que o setor atravessa. No parque fabril de refino a situação se agrava a todo dia. Se em 2015 operávamos as refinarias da Petrobras com 85% de capacidade ociosa. Em 2016 o número passou para 72% e será próximo a 62% em 2017, segundo rumores do mercado, com o incremento da capacidade ociosa levando o País a uma recessão ainda mais acentuada e veementemente negada pelo governo, mas confirmada pela população que empobrece a cada dia sem qualquer indicação de elevação do seu poder de compra.

 Tudo reportado tem como produto a quebra dos índices de todas as atividades, principalmente a industrial que, quando aumentou, foi devido ao incremento da exportação de veículos, sem substancial impacto interno. Curiosos são os lobbies que atuam nos negócios. O Greg Hands do governo inglês atuou junto ao Paulo Pedrosa do Ministério das Minas e Energia  para garantir e facilitar presença e a atuação das empresas inglesas no Brasil. O representante da SHELL atuou abertamente e despudoradamente nas seções plenárias das nossas câmaras que muitas vezes negam acesso aos seus recintos à representação popular, através das suas entidades técnicas e políticas de relevância. Chegamos ao ponto de oferecer isenções em torno de US$ 312,5 bilhões. 

O mais estranho é que depois que a Petrobrás faz os impairments nas desvalorizações nas obras e respectivos valores das pretensas refinarias do Maranhão e Ceará, o preposto do MME, o senhor Márcio Felix, anuncia em novembro de 2017, o interesse dos chineses em construírem tais refinarias, antes absolutamente desnecessárias. A do Maranhão, com capacidade de processar 650 mil barris/dia e a do Ceará, com 350 mil barris, todas importado a totalidade de petróleo do distante Irã, da Pérsia mesmo, excluindo delas o uso do abundante petróleo brasileiro, que a Petrobrás teima em não investir na sua delimitação, na apropriação de reservas e na produção, sendo que as reservas decaem a cada ano, por absoluta falta de investimento na delimitação e produção das reservas e recursos contingentes já descobertos ou com boas indicações, respectivamente. Uma verdadeira panaceia;

 d)  A venda de ativos exploratórios pela Petrobrás e o comportamento e a atuação desastrosa nos leilões da ANP foram absolutamente prejudiciais a Petrobrás. Destes, destaca-se a venda do bloco BMS-8, com a acumulação de Carcará inclusa, por preço de banana, US$ 2,5 bilhões por 66% que detinha no bloco BM-S-8, com 2 bilhões de volumes recuperáveis e um volume potencialmente elevado nos prospectos Guanxuma, além da não participação no leilão do ativo Carcará Norte, onde poderia pelo menos exercer os direitos de 30% de participação facultada por lei no regime de partilha, com volumes recuperáveis conhecidos de também 2 bilhões de barris, pois estão ou são a mesma acumulação de Carcará. Isso representa uma renuncia proposital de pelo menos a 600 milhões de barris de óleo equivalente  recuperáveis ou a US$ 3,6 bilhões de reais. Pior. O seu dirigente mor, o senhor Pedro Pulen Parente anunciou prematuramente, primeiro para os concorrentes e depois para todos, a estratégia que a empresa iria utilizar nos leilões, algo inédito no mundo dos negócios.

 Ainda que a grande mídia enalteça o gestor como um dos melhores do mercado, as suas ações deletérias nos leilões, e foram inúmeras, desde


   os altos valores percentuais em óleo oferecidos pelas áreas complementares e adjacentes aos campos proprietários que já detinha, como Sapinhoá, até os elevados valores, também em óleo, nas áreas exploratórias mais promissoras, resultará em faturamentos e lucros futuros pífios para a Petrobrás, além de não ter permitido, indiretamente, a participação das demais concorrentes nas áreas de fronteiras exploratórias existentes nas franjas do polígono do pré-sal, ao anunciar prematuramente que não participaria do leilão de tais áreas. Um desastre que felizmente também beneficiou o Brasil, através da PPSA. Se esta tiver vida longa, o que é improvável face política recorrente adotada pelo atual governo brasileiro, que incentiva a Petrobrás a facilitar a vida das empresas alhures, quer seja na venda de ativos, ou nas participações dos leilões, ou nas parcerias com as empresas maiores onde a Petrobras entra com o petróleo descoberto e os parceiros com a tecnologia que, curiosamente, é a Petrobras a empresa que abocanha os prêmios internacionais de destaques tecnológicos ao longo da sua história e no seu desenvolvimento. Assim, em 2017, ganharam as parceiras da Petrobrás, notadamente a Statoil, a Exxon, a Total, a Shelll e a Galp, no segmento upstream, e intensamente a Raizen, Shell e o Itaú. nos setores de mid e downstream. Curioso o Brasil neste mundo vasto mundo, justo porque alguns diretores são oriundos de algumas destas empresas; 

Como ato positivo podemos destacar as tentativas de desregulamentação do setor Petróleo feitas pela a ANP, apesar das proposições serem muitas vezes cópias fieis das proposituras de IBP, que tem como membros uma maioria de empresas estrangeiras, que só se posicionam pelos próprios interesses, o que é normal, deixando de lado os verdadeiros interesses nacionais que é  área de responsabilidade das agências na regulação e controle. O projeto de isenção de impostos da ordem de US$ 312 bilhões é um escândalo.

  Também é benéfica a entrada no Brasil de mais atores ou empresas, desde que estas aloquem os primeiros recursos nos riscos inerentes à atividade, e deixem de ganhar ou comprar barato ativos já sem riscos, como os polos industriais, os dutos etc., além e, principalmente, as importantes descobertas onde todos os riscos ficaram por conta dos brasileiros via Petrobras, e que não serão contemplados com os prêmios decorrentes, pois os ativos foram vendidos por preço de farelo de peixe podre. A venda da NTS foi feita no momento que constatamos que no pré-sal existem imensos volumes de gás que serão escoados em dutos, agora de outros, mas que nós construímos e agora pagaremos um aluguel. Lógica absolutamente maluca não!

 No plano internacional estão acontecendo diversas acomodações geopolíticas, todas no sentido de abocanhar maiores e melhores participações possíveis nos ativos estratégicos de energia que muitos insistem erroneamente em chamar de commodities, principalmente os ativos petrolíferos. O mundo consome atualmente cerca de 100 milhões e barris de petróleo diários e cerca de 20 milhões de barris diários equivalentes em carvão, poluidor, justo na década que se constata severos danos ao meio ambiente. Assim, antes de se substituir o petróleo, também poluidor, por energias limpas, é urgente se fazer a substituição do carvão, muito mais poluidor e o energético mais disponível para tanto é o petróleo, gostem ou não os ecologistas. Como a sobra diária do petróleo não supre completamente a demanda do carvão, o petróleo ainda terá vida longa, daí as acomodações geopolíticas. 

 No Oriente Médio, na Arábia Saudita, o clima político é complicado para se assegurar o poder excessivo de alguns e dos seus aliados norte-americanos. A Europa busca seus posicionamentos energéticos tanto nos ex-satélites da União Soviética como no Oriente Médio. A Rússia, autônoma, tenta manter suas posições na Síria e nos antigos membros da União. A China se posiciona na África, Ásia e em todos os países onde existem recursos estratégicos. A índia que cresce a elevadas taxas também garante seu suprimento na Ásia. Todos tentam  posicionar-se no Brasil de volumes contingentes fartos e alvissareiros e nas facilidades de um governo que vende tudo por interesses menores e absolutamente dissociados com os desígnios da nação Brasil.”

 

 2- Quais seriam as soluções para os problemas que o país atravessa?

  – “ Primeiro a recuperação da credibilidade do Brasil e das suas representações políticas que poderá ser atingida após a eleição de 2018, a depender do grupo vencedor. Se forem reeleitos os atuais dirigentes do executivo e legislativo, nada mudará por razões óbvias e continuaremos na mesma cantilena, até que se peça uma solução de força com restrições de direitos, comuns no passado. Pior é que assistimos, no plano dito democrático,  verdadeiras pirotecnias para implantação do parlamentarismo com voto distrital misto, etc., todos na direção da manutenção do status quo. Poucos se preocupam com o País e o seu povo no sentido verdadeiramente republicano.

 Na nossa área continuaremos a importar processados e exportar matéria prima e empregos. O Brasil continuará na crise, salvo se as forças democráticas deixem de procrastinar soluções e se agreguem às forças populares que pedem ajustes no Brasil, nos três poderes, adequando-os à razão e à Constituição no tocante a tetos salariais sem penduricalhos, com as devidas prioridades estabelecidas nas áreas de educação e saúde, tornando os profissionais destas áreas protagonistas ao invés de coadjuvantes. A principal tarefa será formar e reformar tais profissionais adequando-os a uma carreira de estado, evitando a situação que vivemos onde o Estado finge que paga e alguns profissionais fingem que trabalham, enquanto labutam verdadeiramente nas suas próprias sobrevivências, face a entropia como as carreiras e profissões são estruturadas e que dão margens a quaisquer tipos de arranjos, principalmente os geradores da corrupção, que se inicia quando o próprio governo indica estranhos para dirigir algo que não entende, o que é muito comum no Brasil e o que chamamos de trocas ou negociações políticas. Um absurdo pragmatismo do mau.

O principal cancro no legislativo são as famílias que dirigem hereditariamente o País onde os tataravôs ou bisavôs políticos elegeram o avôs que elegeram os filhos e estes os netos, todos compromissados com o projeto próprio e com as mesmas práxis deletérias num, digamos,  atavismo político nocivo e de emprego nobre e exclusivo das famílias laureadas. Pior é que também os mais novos, órfãos dos bisavôs aprenderam facilmente e já criaram as próprias castas ou as suas capitanias hereditárias políticas. Assim o nepotismo indesejado é também olvidado pelo judiciário que, na maioria, mantem o próprio status quo, principalmente o nepotismo, salvo as honrosas exceções.

Assim as soluções seriam:

a-  A proibição da reeleição e da sucessão hereditária, mesmo que pelo voto, para evitar a manutenção das oligarquias políticas;

 b- Oxigenação completa em todos os poderes, principalmente nas áreas administrativas eivadas de vícios seculares que os perpetuam nos erros e compadrios;

 c- Eleição ampla geral e irrestrita para todos os níveis, com juízes e administradores selecionados, não escolhidos, por voto popular;

 d- realocação completa e gradativa de todos os funcionários públicos fixando-os nas áreas verdadeiramente prioritárias;

 e- Redução significativo nos montantes das câmaras com 2 senadores por estado e um total de 250 deputados federais, obedecendo a proporcionalidade populacional das áreas de origem;

 f- Limitação do número de assessores do legislativo, do executivo e judiciário com adequação de salário e remuneração justa para todos, sem permitir penduricalhos como auxílios moradia, alimentação etc.

 g- Nas áreas técnicas dos ministérios tipo Agricultura e Minas e Energia se criar estruturas exclusivamente técnicas, obedecendo as especificidades de cada área, dando treinamentos específicos aos potenciais gerentes, diretores e presidentes de estatais em escola própria do estado, formada por especialistas do Brasil, capazes de direcionar cada atividade às necessidades do País. Ficariam assim proibidas as nomeações políticas pois os cargos teriam mandatos temporais diferentes dos das eleições ou seja os governantes teriam que gerir com os técnicos nomeados nas gestões passadas e que, por sua vez, teriam nas suas escolha a participação da sociedade civil organizada das suas áreas de atividade;

 h- Criação de comitês gestores para a avaliação permanente das atividades, em consonância com as necessidades do País.”

 

3- Quais as perspectivas para 2018? Pessimistas ou otimistas?

 – “ Espero um ano similar a 2017, pois os atores serão os mesmos. A Petrobras continuará vendendo os seus ativos upstream, principalmente os seus campos terrestres e de águas rasas, pois neles já não faz mais os investimentos adequados na sua manutenção física e a dos seus reservatórios, que ainda têm boas reservas remanescentes produzíveis, tanto provadas como as prováveis e possíveis. Tampouco faz contratos de produção pois parece não mais ter interesse de possuir tais ativos e muito menos está preocupada, como deveria, com o social, como o faz com o conteúdo local, ou seja na manutenção das rendas das atividades dos Estados pobres, principalmente os do nordeste, onde pequenas empresas enfrentam sérias dificuldades para vender seus serviços, pela proposital e absoluta ausência dos mesmos, matando assim as pequenas atividades econômicas nacionais que, no futuro, serão substituídas por empresas de fora.

Também insistirá no IPO da Distribuidora se não lograr êxito em 2017, enfraquecendo assim, para a Petrobrás, mais um elo da cadeia petróleo. Também, vaticino, continuará com a venda ou com as estranhas parcerias nos ativos exploratórios que detém, os com descobertas, ou seja, os que não encerram riscos para os parceiros, que serão abundantes e ao gosto da administração atual.

 A ANP continuará e intensificará os leilões das áreas exploratórias mais favoráveis do pré-sal e deverá insistir nos leilões das áreas limítrofes ao polígono, que encerram maiores riscos e garantiram excelentes prêmios se houver êxitos e a Petrobrás não atrapalhar com anúncios precipitados pré leilões. As áreas terrestres exploratórias disponíveis também terão as suas ofertas intensificadas, principalmente se a ANP disponibilizar o seu acervo, sem custos, para análises prévias das áreas por potenciais compradores, como ocorre em muitos países do mundo. Sem tais atitudes dificilmente as áreas serão compradas,  pois o preço atual e a nossa atual legislação não favorecem as atratividades destas áreas, exceto se houver algo no plano internacional, capaz de aumentar a procura por petróleo via elevação de preços.

Na área internacional os posicionamentos geopolíticos e econômicas de cada país, via suas empresas, ficarão melhores definidos, inclusive os posicionamentos no Brasil, via compra de ativos ou nos leilões, tudo no endeusado pré-sal, ou nos promissores ativos do pós-sal da bacia Segipe-Alagoas já descobertos, e nas suas cercanias, onde jazem pelo menos 2 bilhões de barris de petróleo recuperáveis e que intuo, comporão as próximas vendas da Petrobrás, ávida por se desfazer de bons ativos. Digo isso com base no quase abandono da área em termos de investimentos no petróleo  já descoberto.”

 

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